Livros ganham versões digitais e portabilidade Jornal DCI 17/08/2012

Imagine carregar centenas de livros em um único aparelho que cabe na bolsa. O que parecia uma coisa futurista, possível somente em filmes ou desenhos animados, começa a se tornar realidade.

Ainda de um jeito tímido, os e-books têm conseguido seu espaço no mercado e conquistado leitores que, por vezes, relutam em usar aparelhos tecnológicos para realizar uma leitura.

O mercado digital começou a dar os primeiros passos no Brasil em 2009, com cerca de 300 obras disponíveis em português. Pouco tempo depois, o número duplicou e atualmente conta com aproximadamente 11 mil títulos disponíveis. “A chegada do livro digital tem um significado extremamente importante em termos de abrir novas possibilidades promissoras e animadoras para que consigamos ter um processo mais amplo de difusão de leitura no Brasil”, afirma o curador do Prêmio Jabuti e coordenador do Corredor Literário na Paulista, José Luiz Goldfarb.

Na Bienal do Livro de São Paulo, essa foi uma das apostas de diversas editoras, principalmente para o público infantil e no segmento da educação.

Um dos exemplos foi o lançamento da obra de Olavo Bilac, ‘Poesias Infantis’, desenvolvida pela Book Partners, B4 Editores e FutureLab. Essa versão on-line é a primeira obra animada do Brasil desenvolvida em HTML5. “Esse formato significa basicamente que o livro funcionará em todas as plataformas. Ele se adapta automaticamente ao formato da tela e aos recursos que o aparelho possui”, explica Rafael Cleante, gerente de TI da Book Partners.

Apesar de ser um formato ainda novo, a editora deve lançar outros dez títulos próprios em HTML5. “A tendência é que aumente o número de livros e também o número de consumidores. Acredito que os incentivos fiscais auxiliem nisso e também o aumento do número de tablets”, aposta Cleante.

Atualmente, existem outros dois formatos de e-books: epub e pdf. O mais comum é o PDF, em que o livro é idêntico ao convencional.

No epub, algumas animações podem ser acrescentadas e opções de ajuste, como cor, tamanho de letra e marca páginas.

Na editora Grupo A, além dos e-books há também os aplicativos, que deixam a leitura mais interativa, o que facilita a utilização. Um exemplo, é o caso do livro “Medicamento de A a Z”, em que para consultar o e-book, é necessário passar página por página. No aplicativo, basta digitar um pedaço do nome do medicamento que ele rapidamente é localizado.

Mercado

Para André Ferraz, do Departamento de Produtos Digitais da livraria Saraiva, o número de consumidores de e-books, comparado ao dos livros convencionais, ainda é muito marginal. “Como uma previsão particular minha, acredito que em dois ou três anos esse estranhamento tenha passado e o mercado brasileiro tenha mais maturidade nesse setor”.

Como um dos cases mais atuais, Ferraz cita o best-seller “50 Tons de Cinza”, que teve uma vendade 30% de unidades digitais. “Por exemplo, se foram vendidos 9 mil exemplares convencionais, houve a saída de mais 3 mil exemplares digitais”, explica.

Em relação a valores, um livro digital sai, em média, 30% mais barato que o impresso.

Educação

E não somente a parte infantil deve ser explorada nesse ambiente virtual, mas também a educação, desde a pré-escola até o ensino universitário. “Ainda temos muitas regiões no País onde o livro físico, por uma série de problemas, ainda não chegaram. Existem projetos do poder público para criar bibliotecas municipais, mas esse processo no Brasil ainda não é consolidado. Pelo contrário, mesmo no estado de São Paulo, um dos mais ricos da nossa nação, ainda cerca de 30% das bibliotecas ainda têm dificuldade de manter um acervo atrativo para a população”, afirma Goldfarb.

Para o especialista, o livro digital não é algo que elimina a biblioteca física, mas oferece uma alternativa para que o jovem, mais envolvido com o mundo digital, se beneficie da possibilidade de ter acesso a livros e bibliotecas digitais.

“Um exemplo, são algumas cidades no Mato Grosso e Tocantins, que não possuem bibliotecas.Muitos jovens vão a lan houses, para ter acesso à Internet. Isso significa que, à medida que disponibilizarmos a esses jovens acesso às boas coleções digitais, seja no tablet ou no próprio computador, ou no celular, ele vai poder ter acesso a uma riqueza de livros muito ampla”, conta Goldfarb.

Um dos serviços apresentados na Bienal do Livro foi a “Minha Biblioteca”, que permite o acesso de universitário a um acervo com milhares de títulos das seguintes marcas: Grupo A, Editora Atlas, Grupo Editorial Nacional e Editora Saraiva.

Presente em 22 universidades, a biblioteca virtual pode ser acessada pelo computador, tablet ou smartphone, e permite ao estudante funções como grifar partes importantes, adicionar lembretes e imprimir páginas.

Segundo Yael Hendler, representante da “Minha Biblioteca”, as universidades, principalmente do interior, se sentiram beneficiadas com o serviço. “É interessante porque, às vezes, é difícil manter uma biblioteca física. Então é como se fosse uma opção para oferecer conteúdo aos alunos sem ter problema na quantidade de exemplares disponíveis. Isso sem contar na comodidade do aluno, que poderá acessar de qualquer lugar, sem precisar carregar peso”.

Por enquanto, o produto está disponível apenas para universidades, mas em breve poderá ser adquirido de maneira individual pelos interessados.

Estados Unidos

Segundo José Luiz Goldfarb, a grande diferença entre o Brasil e os Estados Unidos está no uso dos tablets. “Uma pesquisa realizada pelos norte-americanos mostra que a pessoa que tem o hábito de ler e possui um tablet, passa a ler mais”, explica.

Para ele, os EUA são um país em que o livro eletrônico é uma realidade e começa a competir de forma muito forte com os livros de papel. “Sou adepto de que por meio das redes sociais, as pessoas se conheçam. Existem plataformas nas quais as pessoas formam clubes de livro. Isso é bom porque a própria forma da leitura será divertida, o que deve motivar a nova geração”, finaliza.

 

*foto: Paulo Bareta

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